No contexto tecnológico recente, pós-guerra, talvez nenhum fenômeno tenha assumido tanta importância no final do século XX quanto a Revolução da Tecnologia da Informação. O impacto da eletrônica, computadores e telecomunicações, interligados, e suas conseqüências parecem bem maiores do que se imaginou agora. Muitas foram às transformações e inovações tecnológicas, pode-se situar, por exemplo: o transistor, o chips, o microprocessador, as telecomunicações – avanços importantes em transmissão por fibra ótica e laser, tecnologia de transmissão por pacotes digitais, radiodifusão (transmissão tradicional, transmissão direta via satélite, microondas, telefonia celular digital) e a engenharia genética.
Entender o que é possível criar com a sociedade do conhecimento mundial é um dos grandes desafios do século XXI. Dessa forma, pesquisadores, ativistas, governos e empresários vêm se reunindo para traçar documentos, buscando estratégias e soluções para todos os países na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI). Governos, sociedade civil e empresas são responsáveis por sua organização e propostas viáveis de interesse da população mundial.
Em termos gerais, é consenso entre analistas que a realização do novo paradigma se dá em ritmo e atinge níveis díspares nas várias sociedades. Junto com o jargão da “sociedade da informação” já é lugar comum a distinção entre países e grupos sociais “ricos” e ”pobres” em informação, ou “inforicos” e “infopobres”. Esta revolução informacional amplia exponencialmente as diferenças na capacidade de tratar informações e transformá-las em conhecimento, aprofunda o distanciamento cognitivo entre aqueles que já convivem com ela e os que dela estão apartados. As desigualdades de renda e desenvolvimento industrial entre os povos e grupos da sociedade reproduzem-se no novo paradigma. Enquanto, no mundo industrializado, a informatização de processos sociais ainda tem de incorporar segmentos sociais e minorias excluídas, na grande maioria dos países em desenvolvimento, entre eles os latino-americanos, vastos setores da população, compreendendo os médios e pequenos produtores e comerciantes, docentes e estudantes da área rural e setores populares urbanos, adultos, jovens e crianças das classes populares no campo e na cidade, além daquelas populações marginalizadas como desempregados crônicos e os “sem-teto” engrossam a fatia dos que estão ainda longe de integrar-se no novo paradigma. Este fato fundamental constitui um dos desafios éticos para a constituição da sociedade da informação, desafio que somente a ação social consciente poderá superar, já que certamente não será resolvido pelo avanço tecnológico em si mesmo, nem por uma hipotética evolução natural.
Sem dúvida, a sociedade de informação encerra em si uma potencial contradição: valorização do fator humano no processo produtivo, ao transformar a informação e o conhecimento em capital, mas, simultaneamente, desqualifica os novos “analfabetos” das tecnologias de informação, podendo dar origem a uma nova classe de excluídos. Este é o momento de marcar a presença com propostas efetivas e transformadoras, de apontar a exploração comercial abusiva dos custos de banda Internet nos países em desenvolvimento e discutir fundos e propostas de longo prazo para o combate à infoexlusão.
O acesso à rede é, sem dúvida, uma realidade que, principalmente, nas últimas cinco décadas ocupou a rotina das pessoas, transformando hábitos, costumes, comportamentos, cultura local, consumo, serviços, entre outras, tornando-se um fator preponderante na agilidade e economia de tempo em relação ao espaço. As TICs geram um volume de dados e informações como nunca aconteceu antes na humanidade, caracterizando uma verdadeira revolução na sociedade, no entanto, infelizmente, uma sociedade ainda elitista. O que se percebe é que mesmo com os grandes avanços tecnológicos em termos de aplicações no cotidiano das pessoas que moram nas cidades, a realização da sociedade da informação somente será possível se os meios de comunicação existentes na atualidade garantirem acessibilidade pública indiscriminada e de baixo custo, possibilitando o desenvolvimento de uma cidadania digital. As novas tecnologias de informação e comunicações favorecem a formação de uma rede de cidadania digital, disponibilizando serviços e ações de interesse público na cidade.
A consolidação progressiva e efetiva dessa cidadania digital se sobrepondo à rede física da cidade e, aos poucos, criando um sistema com múltiplas entradas e saídas, ou seja, uma infovia compartilhada permitirá o usufruto de oportunidades e benefícios da Sociedade da Informação local ou Cidade Digital. No entanto, antes desta Cidade Digital, necessário se faz estabelecer a cidadania em rede, que permitirá ao cidadão circular e viver na cidade, tornando barato e acessível à grande parcela da sociedade local.
As cidades digitais são uma nova forma de organização e integração do território; interligado através de uma rede pública de transmissão de voz, dados e imagem; lugar onde o cidadão se torna o principal ator na produção, gestão e usufruto dos benefícios de novas tecnologias, garantindo o direito de acesso universal à informação, comunicação e conhecimento; assumindo a visão estratégica de uma sociedade de informação local. Uma cidade que democratiza os saberes e transforme a maneira de educar, formando indivíduos capazes de conviver, de se comunicar num mundo interativo e interdependente. Têm a tecnologia como importante ferramenta para a socialização do conhecimento, contribuindo para a democratização dos saberes e a participação mais efetiva e autônoma do cidadão em todos os espaços sociais. Surge assim, a necessidade de desenvolvimento de conteúdos digitais, de programas de capacitação em tecnologias de informação e comunicação e o uso crítico dessas tecnologias o que chama à responsabilidade diversos segmentos da sociedade. Uma agenda de ações governamentais para toda a sociedade, e não uma proposta setorizada e restrita à área de ciência e tecnologia.
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