"Os dilemas dos educadores do século XXI parecem estar resumidos em três questionamentos: O que ensinar? Como ensinar? Para que ensinar? Dertouzos alerta que a educação é muito mais que a transferência de conhecimentos de professores para alunos. Acender a “chama da vontade de aprender no coração dos estudantes, dar o exemplo e criar vínculos entre professores e alunos” são fatores essenciais para o sucesso do aprendizado. E este é um papel que a tecnologia não poderá cumprir.
Em "A cabeça bem-feita", Morin defende que o ensino educativo deve buscar não a mera transmissão do saber acumulado, mas uma cultura que possibilite a compreensão da condição humana e nos ajude a viver, e que favoreça um modo de pensar aberto e livre. A educação, para o autor, deve propiciar a compreensão do contexto, o todo em relação às partes , as partes em relação ao todo.
Para ele, o excesso de especialização do saber leva ao enfraquecimento da responsabilidade e da solidariedade.
Cada um faz a sua parte, e não há consciência da co-responsabilidade pelo todo. Ensinar não é distribuir certezas, mas instigar dúvidas; não é inculcar a aceitação passiva do estabelecido, mas instrumentalizar para a contestação; não é formar iguais, mas diferentes, unidos pelo respeito e aceitação das próprias diversidades. A educação “pode ajudar a nos tornarmos melhores, se não mais felizes, e nos ensinar a assumir a parte prosaica e viver a parte poética de nossas vidas”.
O papel mais importante do bibliotecário no século XXI parece ainda ser o de gerenciador da informação. A importância dessa tarefa pode ser assim colocada: o grande problema desse século é a superabundância de informação. Então, se não possuirmos sistemas e estratégias adequadas de acesso à informação ou estivermos despreparados para acessá-las, de que servirá tanta informação? Do que servirá a tecnologia, se a maioria das pessoas não saberá utilizá-la ou não terá acesso a elas? Os computadores e os sistemas inteligentes de processamento de dados podem até assumir parte dessa tarefa. No entanto, a organização e a manipulação de toda essa informação requer instruções, e aqui é que o bibliotecário poderá contribuir. Tal tarefa influenciará diretamente a vida de todas as pessoas e irá requerer competências de cunho educativo, intelectual, social e tecnológico."
Referências Bibliográficas:
DERTOUZOS, Michael. O que será: como a informação transformará nossas vidas. São Paulo : Companhia das Letras, 2000.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: reformar a reforma, reforçar o pensamento. Rio de Janeiro : Bertrand Brasil, 2000.