sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Socialização


Li este texto na página do blog http://www.midiatismo.com.br/ e decidi por postá-lo aqui também. Ele fala da do uso das redes sociais pelos profissionais. Espero que gostem
Há quem despreze a teoria, considerando que ela toma um tempo precioso do profissional que poderia ser utilizado para a prática com os seus erros, acertos e aprendizagem proporcionada. Porém, quanto mais tenho contato com teóricos, percebo que por serem embasados pela teoria têm uma visão muito mais ampla da realidade compreendendo de forma magnífica o modo como a “máquina” e suas engrenagens funcionam e como melhor explorá-las.
Quando se fala em ações que visam à reação de pessoas, essa questão se torna ainda mais evidente. O estudo do comportamento humano, da formação da sua opinião, das suas interações sociais, por exemplo, foram demasiadamente exploradas desde a Antigüidade. De lá pra cá, formaram-se muitas vertentes de pensamentos e teorias foram aprofundadas e muitos conceitos caíram por terra.

Assim, de posse desses dados, o profissional que pretende intervir ou participar socialmente de um grupo a fim de compreender e atender as suas necessidades, certamente terá mais condições do que aquele que trabalhará com a técnica de erro e acerto. Principalmente porque a tendência é que as pessoas afetadas não dêem uma “segunda chance” para retratações. Esta postura está prevista em estudos e, diga-se de passagem, custará “simplesmente” a reputação daquilo que esse profissional estiver representando, seja ele próprio ou a empresa para quem trabalha.
Trazendo essa discussão para o meio virtual e, principalmente, a inserção das organizações nas redes sociais, percebo cada vez mais o diferencial que noções teóricas podem oferecer. O fato é que as redes sociais sempre existiram, a novidade consiste na socialização por meio da tecnologia, mediada pelo computador e pela Internet. Ora! Pensando por essa lógica, não será possível descartar todo conhecimento construído ao longo do tempo em conseqüência de um novo meio de se socializar.
O que quero dizer é que dominar ferramentas e compreender a dinâmica prática das redes sociais não fará de um profissional, por si só, capaz de planejar ações que sensibilize pessoas, muito menos de estabelecer níveis ideais e favoráveis de relacionamento entre pessoas e uma organização. Entendo que é preciso bagagem teórica para desenvolver um bom trabalho em nível estratégico. Especialmente nas áreas em desenvolvimento como é o caso das mídias sociais.
E aí, você está preparado para a socialização?
Escrito por Daniela Mattos
Estudantes de Relações Públicas – UFRGS
@danielamattos

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cidades Digitais


No contexto tecnológico recente, pós-guerra, talvez nenhum fenômeno tenha assumido tanta importância no final do século XX quanto a Revolução da Tecnologia da Informação. O impacto da eletrônica, computadores e telecomunicações, interligados, e suas conseqüências parecem bem maiores do que se imaginou agora. Muitas foram às transformações e inovações tecnológicas, pode-se situar, por exemplo: o transistor, o chips, o microprocessador, as telecomunicações – avanços importantes em transmissão por fibra ótica e laser, tecnologia de transmissão por pacotes digitais, radiodifusão (transmissão tradicional, transmissão direta via satélite, microondas, telefonia celular digital) e a engenharia genética.
Entender o que é possível criar com a sociedade do conhecimento mundial é um dos grandes desafios do século XXI. Dessa forma, pesquisadores, ativistas, governos e empresários vêm se reunindo para traçar documentos, buscando estratégias e soluções para todos os países na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI). Governos, sociedade civil e empresas são responsáveis por sua organização e propostas viáveis de interesse da população mundial.
Em termos gerais, é consenso entre analistas que a realização do novo paradigma se dá em ritmo e atinge níveis díspares nas várias sociedades. Junto com o jargão da “sociedade da informação” já é lugar comum a distinção entre países e grupos sociais “ricos” e ”pobres” em informação, ou “inforicos” e “infopobres”. Esta revolução informacional amplia exponencialmente as diferenças na capacidade de tratar informações e transformá-las em conhecimento, aprofunda o distanciamento cognitivo entre aqueles que já convivem com ela e os que dela estão apartados. As desigualdades de renda e desenvolvimento industrial entre os povos e grupos da sociedade reproduzem-se no novo paradigma. Enquanto, no mundo industrializado, a informatização de processos sociais ainda tem de incorporar segmentos sociais e minorias excluídas, na grande maioria dos países em desenvolvimento, entre eles os latino-americanos, vastos setores da população, compreendendo os médios e pequenos produtores e comerciantes, docentes e estudantes da área rural e setores populares urbanos, adultos, jovens e crianças das classes populares no campo e na cidade, além daquelas populações marginalizadas como desempregados crônicos e os “sem-teto” engrossam a fatia dos que estão ainda longe de integrar-se no novo paradigma. Este fato fundamental constitui um dos desafios éticos para a constituição da sociedade da informação, desafio que somente a ação social consciente poderá superar, já que certamente não será resolvido pelo avanço tecnológico em si mesmo, nem por uma hipotética evolução natural.
Sem dúvida, a sociedade de informação encerra em si uma potencial contradição: valorização do fator humano no processo produtivo, ao transformar a informação e o conhecimento em capital, mas, simultaneamente, desqualifica os novos “analfabetos” das tecnologias de informação, podendo dar origem a uma nova classe de excluídos. Este é o momento de marcar a presença com propostas efetivas e transformadoras, de apontar a exploração comercial abusiva dos custos de banda Internet nos países em desenvolvimento e discutir fundos e propostas de longo prazo para o combate à infoexlusão.
O acesso à rede é, sem dúvida, uma realidade que, principalmente, nas últimas cinco décadas ocupou a rotina das pessoas, transformando hábitos, costumes, comportamentos, cultura local, consumo, serviços, entre outras, tornando-se um fator preponderante na agilidade e economia de tempo em relação ao espaço. As TICs geram um volume de dados e informações como nunca aconteceu antes na humanidade, caracterizando uma verdadeira revolução na sociedade, no entanto, infelizmente, uma sociedade ainda elitista. O que se percebe é que mesmo com os grandes avanços tecnológicos em termos de aplicações no cotidiano das pessoas que moram nas cidades, a realização da sociedade da informação somente será possível se os meios de comunicação existentes na atualidade garantirem acessibilidade pública indiscriminada e de baixo custo, possibilitando o desenvolvimento de uma cidadania digital. As novas tecnologias de informação e comunicações favorecem a formação de uma rede de cidadania digital, disponibilizando serviços e ações de interesse público na cidade.
A consolidação progressiva e efetiva dessa cidadania digital se sobrepondo à rede física da cidade e, aos poucos, criando um sistema com múltiplas entradas e saídas, ou seja, uma infovia compartilhada permitirá o usufruto de oportunidades e benefícios da Sociedade da Informação local ou Cidade Digital. No entanto, antes desta Cidade Digital, necessário se faz estabelecer a cidadania em rede, que permitirá ao cidadão circular e viver na cidade, tornando barato e acessível à grande parcela da sociedade local.
As cidades digitais são uma nova forma de organização e integração do território; interligado através de uma rede pública de transmissão de voz, dados e imagem; lugar onde o cidadão se torna o principal ator na produção, gestão e usufruto dos benefícios de novas tecnologias, garantindo o direito de acesso universal à informação, comunicação e conhecimento; assumindo a visão estratégica de uma sociedade de informação local. Uma cidade que democratiza os saberes e transforme a maneira de educar, formando indivíduos capazes de conviver, de se comunicar num mundo interativo e interdependente. Têm a tecnologia como importante ferramenta para a socialização do conhecimento, contribuindo para a democratização dos saberes e a participação mais efetiva e autônoma do cidadão em todos os espaços sociais. Surge assim, a necessidade de desenvolvimento de conteúdos digitais, de programas de capacitação em tecnologias de informação e comunicação e o uso crítico dessas tecnologias o que chama à responsabilidade diversos segmentos da sociedade. Uma agenda de ações governamentais para toda a sociedade, e não uma proposta setorizada e restrita à área de ciência e tecnologia.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Redes Sociais na Internet, por Vânia Puglia

As redes sociais na internet tem se convertido nos últimos anos numa ferramenta muito importante, capaz de diminuir as diferenças, as distâncias que separam os indivíduos da informação e do conhecimento. Considera-se um novo paradigma, um novo entorno social, um processo de evolução sociedade-tecnologia. Este cenário de interação social e tecnologia (por meio de novas ferramentas, sistemas, plataformas, aplicações e serviços) está provocando mudanças no processo de socialização e de tecnologização, bem como de um sobre o outro. Todo esse processo tecnosocial possibilita o surgimento de uma nova rede caracterizada como a web das pessoas frente a web dos dados.
A Web 2.0 na condição de ferramenta para compartilhar informação e conhecimento, potencializa conexões que integram pessoas em torno  de uma temática.

Rede social educativa Minha Terra

domingo, 24 de outubro de 2010

Educando no século XXI, por Luzia Alves de Carvalho



Toda ação educativa coloca em jogo processos conscientes e inconscientes. Os primeiros, constituem o foco do ensino atual, enquanto os segundos, raramente são evidenciados, embora sejam de maior importância para a educação. Aqueles, consistem na transmissão dos conhecimentos, dos saberes, dos modelos de pensamento, do “fazer intelectual”, da formação do raciocínio. Os segundos ocupam-se da pessoa toda como ser psicoafetivo.

Segundo Lapierre e Aucouturier (2004) simultaneamente ocorre um processo de “formação do indivíduo social” em dois planos. O primeiro consiste na transmissão consciente de um código moral consciente o que deve e o que não deve ser feito. Essa transmissão é pouco eficaz. O segundo, totalmente inconsciente, tanto para o professor quanto para o aluno, consiste numa “disposição, determinada pela totalidade dos comportamentos do educador e do meio educativo em relação às pulsões e aos desejos primitivos dos educandos”.
É no nível inconsciente que os autores citados colocam o elemento essencial da educação, pois o comportamento humano é determinado mais pelo que ele é, pelo que ele sabe. Sabemos que os alunos, de modo geral, são condicionados pela autoridade do professor, buscando segurança no conformismo do desejo do adulto, na submissão, perdendo progressivamente a autonomia, a criatividade, as possibilidade de comunicação, a disponibilidade espontânea em relação aos outros e ao mundo.
Atualmente assiste-se a uma liberalização aparente da criança e do jovem, o que agrava mais a destruição da pessoa. Expõe-se a criança e o jovem a assumir uma autonomia para a qual não estão preparados. Trata-se de uma liberdade sem poder, sem responsabilidade, que se reduz à liberdade de recusar, de não fazer nada. (Lapierre e Aucouturier, 2004, p. 109)
Não são as reformas de conteúdos, programas, métodos que mudarão a realidade. O sistema dual continua: ensino de elite e ensino de massa produzindo uma sociedade cada vez mais complexa, hiperhierarquizada, movediça. No entanto, a qualidade de vida é existir livremente, ser sujeito, agir sobre o mundo, mantendo a autonomia das próprias decisões.
O que as jovens gerações precisam é do acesso ao poder real, ao poder de criação, de decisão, de gestão, à responsabilidade. Isto não se improvisa. Começa desde cedo, por uma educação diferente. A liberdade não assumida se transforma em anarquia e a insegurança da desordem recria a necessidade do “pai”, no sentido freudiano.
É necessário, portanto, repensar a educação em seus objetivos profundos, por uma completa inversão de valores, atribuindo a prioridade ao “ser” e não ao “ter”.
O Curso de Pedagogia do ISECENSA defende a educação como processo de evolução da pessoa e não apenas como processo de construção de conhecimento.
A Educação um processo consciente do educador presente no inconsciente do educando. É no nível simbólico do educador e inconsciente para o aluno que se fará a articulação da relação. (Lapierre e Aucouturier, 2004, p. 10). Falamos então em etapas de evolução da pulsão da vida na sua expressão simbólica. Isto não é utopia sem fundamento, pois o núcleo psicoafetivo primário é determinante para toda a evolução da pessoa.
Para realizar esta utopia é preciso repensar a formação do educador, repensando a escola em suas bases. “Evidentemente, repensar a escola é, em primeiro lugar, repensar a formação dos educadores”. (Lapierre e Aucouturier, 2004, p. 110)
Sem dúvida, a simples convivência com o educando como ser humano e um relacionamento profundo com ele – relacionamento de pessoa a pessoa – constitui enfoque diferenciado em educação. Desse modo, o processo de construção do saber se torna quase inconsciente, porque inserido na dinâmica da ação, da interação, do prazer, do vivenciar e da convivência.
A psicanálise ensina que, quando a criança recupera ou mantém o dinamismo do seu ser e assume a autonomia de seu desejo , ela se torna surpreendentemente disponível, assimilando simultaneamente, grande quantidade de conhecimento. Eis porquê o professor deve acender o desejo de conhecer nos estudantes e não fixar-se em um saber programado, fragmentado, uniformizado e hierarquizado.
Sabe-se que, o que os estudantes aprendem, 60%, aproximadamente, vem de fora da escola. Esses 60% correspondem ao que de fato desejam. Não constituem obrigação. Infelizmente os programas propõem aos alunos o que eles “devem” saber e não o que eles “querem”. O resultado é a desmotivação, o desinteresse e a luta dos professores para motivá-los. Com motivação apenas externa é difícil aprender a aprender e o resultado é esquecido rapidamente.
O ensino baseado em programas estruturados pode esterilizar a criatividade. A motivação a partir do desejo do aluno, das suas vivências e construções interiores leva à interdisciplinaridade, ao desejo de pesquisar e criar, o que eleva o potencial cognitivo do aluno.
Acreditamos com Lapierre e Aucouturier que o estudante aprenderá mais rapidamente e colocará em prática esses conhecimentos quando deles necessitarem para realizar o que desejam fazer. O papel do educador é atuar no momento certo, fornecendo aos estudantes os instrumentos que necessitam para evoluir em processo construtivo de “ser” e de “saber”.

Bate-papo no twitter com Claudia Costin